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Coisas da vida…

Meritocracia: âmbitos educacionais e políticos

junho1

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           Há alguns anos a palavra professores ressoava pelos corredores escolares num rito de respeito e autoridade. Em casa, continuava ecoando sob as tarefas extras e conteúdos avaliativos. Eis que, de repente, pensadores da área educativa, apresentaram outra denominação aos queridos mestres: educadores. A partir dessa nomeação entendeu-se que o rito sofria transformações. O respeito e a autoridade, de certa forma, continuaram, embora definhando a passos largos, e aqueles seres que ensinavam estavam se modificando estranhamente. Já não tinham posição de destaque e cada vez mais se igualavam a seus discípulos. Então, surgiu uma nova denominação: facilitadores. Iniciou-se um processo de facilidades escolares. Poucas tarefas, mais conversa, menos conteúdo, mais interação. O professor foi perdendo sua identidade e adquiriu diferentes nomeações e funções. Quais serão as próximas dores?

        Para lecionar nos bancos escolares, o professor/educador/facilitador especializou-se em uma disciplina específica (até onde se sabe é para isso que servem as faculdades) e ao iniciar sua sublime missão (pelo menos foi assim instruído na instituição de ensino superior) depara-se com diferentes delegações: o conteúdo é o pano de fundo, é preciso ter outro olhar sobre o aluno, trabalhar de acordo com sua realidade, seu dia a dia, ensinar valores, educar para a cidadania. Ok. O mestre reflete a respeito de sua infância e percebe que recebeu toda essa educação humana juntamente com o conteúdo programático da instituição. Mas, tudo bem. O conteúdo não é prioridade e deve ser meio esquecido. Passa-se alguns meses e os alunos são submetidos a diversas avaliações: Provinha Brasil, Prova Brasil, Olimpíadas da Matemática, do Português, ENEM. Os resultados dilaceram o país: os alunos atingem as piores pontuações, destacam-se em enésimo lugar em relação a outros países, não sabem compreender um texto, muito menos um enunciado matemático e quem dirá o cálculo em questão.  Culpa de quem? Dos facilitadores, é claro. Aqueles que não têm competência para ensinar, nem transmitir conteúdo, quiçá avaliar. E, para que isso se resolva, nada melhor do que submetê-los à promoção meritória. De repente, tomam jeito na vida e comecem a trabalhar efetivamente. Sem contar, que com tais discrepâncias de ensino-aprendizado, esses dores, seja qual for a denominação em voga, “emburreceram” junto com seus alunos, já que o conteúdo foi posto de lado e, assim, esqueceu-se do uso  da língua materna padrão (que não era necessária na linguagem diária dos discípulos), a tabuada (abolida sem dó nem piedade), a tabela periódica, os verbos irregulares da língua inglesa e demais frivolidades conteudistas, desnecessárias, aos olhos dos pensadores da educação, não dos trabalhadores de sala de aula, quadro e giz.

       O que não se entende são as avaliações governamentistas impostas a cada ano a fim de verificar o aprendizado adquirido. Grande contradição. Algo está confuso. Ou não? E por que aos representantes do povo não se aplicam avaliações meritórias? Seria muito bom promover através dos méritos aqueles que atingem as metas políticas, cumprem as promessas e são assíduos no seu ambiente de trabalho. Afinal, alunos precisam ser avaliados, educadores precisam ser avaliados e os políticos precisam ser avaliados também. Justiça seja feita ou ainda a máxima “a cada um é dado o que merece”.

        É certo que, com os facilitadores e os políticos pensadores, aumentará o número de alfabetizados, porém, entre eles, indivíduos que nada sabem de sua língua, de sua história, de seu país.

        De repente isso não seja importante. Talvez, sejam apenas questionamentos lançados ao vento por alguns persistentes sonhadores.

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